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Este projeto foi iniciado no ano de 2001 e tem os seguintes objetivos:    

     Objetivo Geral

  • Desenvolvimento e adaptação de tecnologias para a produção de material propagativo sadio de citros no intuito da implementação de um Programa de Certificação de Mudas.

 

            Objetivos Específicos            

  • Implementação e manutenção de um Banco de Matrizes livres de viroses e outras moléstias das principais cultivares de citros para o RS;

  • Implementação e manutenção de um Banco de Sementes dos melhores porta-enxertos para as condições de clima e solo do RS;

  • Implementação e manutenção de Borbulheiras com as principais cultivares de citros, com comprovada identidade genética e sanidade;

  • Instalação de um viveiro-modelo para a produção de mudas de citros para o RS, testando e desenvolvendo tecnologias mais adequadas para esta região.

JUSTIFICATIVA

            A muda é o insumo mais importante na formação de um pomar de citros. De sua qualidade genética e fitossanitária, dependerá toda a produção e vida útil do pomar. Nos últimos anos vem sendo demonstrado que a aparente “qualidade” da muda cítrica produzida no RS não é real, já que não há garantias de uma qualidade genética e fitossanitária. As modificações econômicas e o surgimento, por diversas razões, de novas pragas e moléstias cada vez mais intensas e de difícil controle, têm confirmado a necessidade urgente da mudança do sistema atual de produção de mudas para um sistema mais moderno e que dê garantias reais de qualidade ao comprador destas e, em última análise, ao desenvolvimento da citricultura no estado.

            De uma forma mais específica, com a entrada no RS de moléstias como o Cancro Cítrico (Xanthomonas axonopodis pv. citri) e o Clorose Variegada dos Citros - CVC (Xillela fastidiosa), de difícil ou impossível convivência, em que as principais formas de controle são a prevenção e a erradicação, se torna imperativo o desenvolvimento de um Sistema de Produção de Mudas Sadias de Citros para o RS, baseado em conhecimentos científicos e com o apoio institucional dos principais órgãos de pesquisa e fomento.

            O sistema de produção de mudas cítricas vigente no Estado caracteriza-se por apresentar mudas que podem ser classificadas como vistoriadas, ou seja, mudas de bom aspecto, vigorosas e que obedecem aos padrões legais visuais para comercialização, mas que, no entanto, deixam a desejar quanto à origem genética e à contaminação por viroses,  além de outras doenças fúngicas e pragas não visíveis ao exame visual.

            As exigências feitas pela portaria 168 de 1984 do Ministério da Agricultura, que rege a padronização de mudas cítricas no país, estabelece apenas padrões físicos e morfológicos e referências vagas à sanidade para a liberação das mudas à comercialização. Além disso, o Responsável Técnico é o único responsável real pela qualidade da muda, o que nem sempre é desejável, uma vez que este é contratado e pago pelos próprios viveiristas ou por suas associações. Atualmente não há, no Estado, órgão oficial responsável pela fiscalização ou certificação de mudas. O Ministério da Agricultura apenas dá o atestado de liberação para a comercialização após a entrega do laudo do Responsável Técnico.

             A produção de mudas na região tradicional, que está localizada nos vales dos rios Caí e Taquari, caracteriza-se por viveiros de pequenas dimensões, conduzidos por mão-de-obra familiar em minifúndios, com uma produção na faixa de 3.000 a 50.000 mudas/viveiro. O porta-enxerto mais utilizado, desde a década de 70, é o Poncirus trifoliata (mais de 90% das mudas). A enxertia das mudas é feita com borbulhas de origem incerta, embora alguns viveiristas desta região possuam em suas propriedades borbulheiras, cujas mudas originam-se do Centro de Pesquisa em Fruticultura de Taquari (CPFT-FEPAGRO). No entanto, não há garantias de que todas as borbulhas utilizadas por estes viveiristas sejam originárias daquelas plantas provenientes do CPFT.

            Um dos maiores problemas fitossanitários enfrentados pelos viveiristas da região tradicional atualmente é a Gomose, doença causada por fungos de solo do gênero Phytophthora.A gomose ataca as raízes e o colo das plantas, podendo atacar também o enxerto a partir do ponto de enxertia, provocando exsudação de goma. Os riscos com esta doença acumulam-se nesta região devido à necessidade de reutilização freqüente destas mesmas áreas nas propriedades, em função da pequena dimensão destas. Outro fator de risco é a freqüente proximidade dos viveiros com os pomares domésticos ou comerciais ou com áreas mal drenadas, o que pode aumentar em muito a possibilidade de infecção das mudas com Phytophthora spp., assim como também com viroses, em especial a Exocorte, a Leprose, a Larva Minadora dos Citros (Phyllocnistis citrella Stainton), o Cancro Cítrico e mesmo a Clorose Variegada dos Citros. A CVC, mesmo não sendo ainda problema na região tradicional produtora no RS, tem se mostrado importante nas regiões emergentes. Em muitos casos, mudas portadoras destas moléstias e pragas, porém ainda sem sintomas, são livremente comercializadas, constituindo-se numa importante fonte de inóculo

O Cancro Cítrico, detectado pela primeira vez nesta região chamada de tradicional, em 1984, e considerado erroneamente sob controle, voltou a ser detectado com grande intensidade em 1997, com focos sendo identificados tanto em viveiros como em pomares adultos devido a introdução no RS da Larva Minadora dos Citros. Atualmente o Cancro Cítrico é o maior problema da citricultura gaúcha, que poderá ser dizimada se não forem tomadas as devidas providências de erradicação e prevenção.

            A citricultura no Estado  tem se expandido principalmente para diversos municípios do Planalto Médio, Alto Uruguai e Missões. No início da década de 90, foi iniciado um programa de grande incentivo de parte do Governo do Estado no sentido da ampliação do plantio citrícola nestas regiões. Concomitantemente, foi incentivada a implantação dos chamados “viveiros regionais”, que ficaram sob a responsabilidade de algumas prefeituras e/ou cooperativas daquelas regiões. Estes viveiros caracterizaram-se por apresentar um porte maior do que os da região tradicional, pois visavam atender à demanda de diversos municípios ao seu redor.

            Com o passar do tempo, apesar da maior adoção de tecnologias, muitos destes viveiros passaram a apresentar problemas, em especial com relação à contaminação com X. axonopodis pv. citri, agente do Cancro Cítrico, e X. fastidiosa, agente da CVC, e tiveram de ser erradicados. Atualmente, o grave problema da CVC ameaça viveiros e pomares em alguns municípios daquelas regiões.

            A distribuição de material básico (sementes e borbulhas) livres de patógenos, tem sido competência, até o momento, do Centro de Pesquisa em Fruticultura de Taquari. O Centro, devido ao intenso desenvolvimento da citricultura nos últimos anos e ao surgimento de novas enfermidades, não tem conseguido atender esta demanda crescente.

            A citricultura gaúcha, para crescer em bases firmes, deve dar passos rápidos e objetivos no sentido de instituir um programa de produção de mudas cítricas de qualidade, visando garantir sua qualidade genética e fitossanitária, nos moldes das melhores iniciativas realizadas com este intuito em outros países e mesmo dentro do Brasil.

            Caso isto não seja feito, este setor corre o risco de, no mínimo, não mais ter condições de competir com países vizinhos, como a Argentina e o Uruguai. Ou pior, ser arrasado por calamidades já anunciadas como o cancro cítrico, a CVC, o minador ou outros males semelhantes, que poderiam ter sido contornados, com uma restruturação e prevenção ou enfrentamento do(s) problema(s).

            Mas não basta esperar que a solução venha dos viveiristas. É preciso  que todos as partes envolvidas - governo estadual, pesquisa, extensão, associações de citricultores e viveiristas, prefeituras municipais e responsáveis técnicos - trabalhem em sincronia e coordenadamente para garantir a qualidade da muda, matéria prima básica para o desenvolvimento da citricultura do Estado.

            O objetivo deste projeto é a implantação de bancos de matrizes de variedades copa e porta-enxerto de citros, viabilizando assim o fornecimento de material genético superior aos viveiristas e com estado de limpeza fitossanitária garantido.

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